Executivas brasileiras da área de tecnologia têm a menor participação em cargos de liderança na América Latina, mostra pesquisa



As profissionais de TI do Brasil acabam ocupando o maior volume de posições técnicas e de suporte à gestão, como assistentes, analistas, consultores e especialistas. Profissional do sexo masculino predomina em cargos na área de tecnologia
Campaign Creators/Unsplash
As executivas brasileiras de tecnologia têm a menor participação em cargos de liderança na América Latina. É o que mostra estudo desenvolvido pelo PageGroup, consultoria em recrutamento executivo especializado, que opera com as marcas Page Executive, Michael Page, Page Personnel, Page Outsourcing e Page Interim na região.
O levantamento traz o Brasil na última posição entre os países que menos possuem mulheres em cargos de médio e alto escalão, com 66,8% de participação. O indicador é o menor entre todos os países pesquisados, que traz o México na liderança, com 84,3%, seguido por Colômbia (84%), Peru (77,9%), Argentina (76,6%) e Chile (68,7%).
Em contrapartida, as profissionais de TI do Brasil acabam ocupando o maior volume de posições técnicas e de suporte à gestão, como assistentes, analistas, consultores e especialistas, com 33,2%, acompanhado de Chile (31,3%), Argentina (23,4%), Peru (22,1%), Colômbia (16%) e México (15,7%).
De acordo com Luana Castro, gerente da divisão de Tecnologia do PageGroup, o cenário deve mudar no Brasil nos próximos anos, especialmente pela nova mentalidade das empresas do país.
“O que eu tenho visto é uma intensa movimentação das companhias para recrutar mais mulheres em seus quadros colaborativos. Tenho recebido pedidos, cada vez mais frequentes, para incluir mais mulheres nas fases finais dos processos seletivos. Isso mostra que as empresas estão atuando com mais intensidade para aumentar a participação feminina em cargos mais estratégicos e ajudar a diminuir essa diferença histórica”, explica.
Participaram do levantamento, realizado em março e abril deste ano, 930 profissionais em cargos de alta e média gestão no Brasil, Argentina, Chile, Peru, Colômbia e México. Deste total, 72% são mulheres e 28%, homens.
Enquanto as mulheres que trabalham com tecnologia no Brasil são as que menos detêm cargos de liderança na região, elas são as que detêm maior participação nos conselhos de administração das companhias instaladas na América Latina. As executivas brasileiras lideram a lista onde há mais de 50% de presença feminina nos conselhos das empresas. Na sequência, aparecem México, Colômbia, Peru, Argentina e Chile.
Brasil lidera casos de preconceito e discriminação
As profissionais brasileiras lideram as queixas na região por terem sofrido ao menos um episódio de preconceito e discriminação no trabalho (65,3%). O indicador é maior que os registrados no México (55,7%), Peru (53,8%), Chile (47,8%), Colômbia (47,3%) e Argentina (45,8%).
Empresas são responsáveis por desigualdade
A pesquisa procurou entender os principais motivos que podem colaborar para essa desigualdade de gênero. Entre os fatores listados, os respondentes brasileiros do levantamento apontaram as empresas como maiores responsáveis pelo desequilíbrio entre os sexos no ambiente de trabalho, com 48,1%. O percentual é inferior no Chile (43,8%), Argentina (29%), México (28,4%), Colômbia (27,1%) e Peru (19,4%).
Quando questionados sobre a existência de uma política de equidade de gênero, os respondentes brasileiros também aparecem na dianteira ao apontar a inexistência de um programa de igualdade entre os sexos, com 66,9%, ficando à frente de Peru (61%), Colômbia (55,6%), México (52,8%), Argentina (50%) e Chile (43,8%).
Outro aspecto abordado no levantamento é referente ao período necessário para que haja maior equilíbrio na igualdade de gênero dentro das empresas. Os respondentes brasileiros são os menos otimistas neste quesito, acreditando que isto só ocorrerá após 25 anos, com 13,2%. Estão acompanhados de chilenos (12,5%), mexicanos (8%), colombianos (7,9%), peruanos (6,5%) e argentinos (3,2%).
Fatores que limitam contratações
Foram apontados na pesquisa os fatores que pudessem indicar a baixa participação de mulheres em posições de tecnologia. Os respondentes brasileiros indicaram, entre os principais fatores:
domínio masculino no segmento (57,4%)
falta de inspiração e modelos a seguir para as mulheres (47,3%)
processos seletivos que favorecem os homens (35,7%)
menores oportunidades em cargos de liderança e promoções (34,9%)
Caminhos para aumentar contratações
Os participantes da pesquisa também indicaram alguns caminhos para estimular as empresas a contratarem mais mulheres em tecnologia. Entre os respondentes do Brasil, os aspectos mais preponderantes foram:
contratar mais mulheres mediantes processos de recrutamento sem vieses inconscientes (56,2%);
promover campanhas de incentivo para que mais mulheres ingressem no universo da tecnologia (41,5%);
maiores oportunidades de promoção (40,8%)
Ausência de programas de benefícios e qualificação
Outro aspecto que também pode atrapalhar a atração e contratação de mais mulheres na tecnologia é a ausência de programas de benefícios direcionados a esse público. Segundo o levantamento, o Brasil está entre os líderes nesse quesito, com 76,6% dos respondentes apontando essa lacuna. O país perde apenas para o Peru, com 77,4%. Em terceiro aparece o México, com 76%, seguido por Chile (71,9%), Colômbia (70%) e Argentina (67,7%).
E quando há programas de benefícios direcionados ao público feminino, para os brasileiros, os mais listados foram horários flexíveis (76,7%), home office/teletrabalho (73,3%), oportunidades de carreira e desenvolvimento (70%), seguro saúde (66,7%), programas de liderança feminina (63,3%) e auxílio-creche/berçário (56,7%).
Quando questionados sobre a existência de programas de qualificação apoiados pela área de recursos humanos que diminuam os vieses em processos seletivos e promoções, os respondentes de toda a região foram maioria em apontar a inexistência de ações nesse sentido. A liderança é do Chile, com 71,9%, acompanhado por Peru (69,5%), Brasil (68,6%), México (63,8%), Colômbia (62,4%) e Argentina (60%).
Source: Globo Economia