Economia brasileira deve ter melhora apenas gradual, dizem analistas



No início do ano, economia crescia num ritmo de 1%. Agora, analistas apontam que atividade está mais próxima de 2%. A economia brasileira deve manter um ritmo de retomada gradual no último trimestre deste ano e ao longo do próximo, mas sem apresentar um crescimento robusto, segundo economistas ouvidos pelo G1.
O que os analistas dizem é que o desempenho da atividade deve subir apenas um degrau. Se no início do ano o Produto Interno Bruto (PIB) rodava próximo de 1%, daqui em diante deve avançar para um patamar próximo de 2%.
Variação trimestral do PIB
Juliane Souza/G1
Nesta terça-feira (3), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a economia brasileira cresceu 0,6% no terceiro trimestre, na comparação com os três meses anteriores. A taxa é a maior desde o primeiro trimestre desde 2018. No acumulado dos últimos quatro trimestres, no entanto, a expansão é de apenas 1%.
Entenda o que faz parte do cálculo do PIB
A expectativa de melhora – ainda que tímida – da economia brasileira é explicada, sobretudo, pela queda da taxa básica de juros (Selic) e, consequentemente, pela melhora do quadro do crédito.
Em novembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros para 5% ao ano. É o menor percentual desde 1999, quando começou o regime de metas para a inflação. A expectativa do mercado é que ocorra mais um corte de 0,50 ponto percentual na reunião de dezembro, levando os juros para 4,5% ao ano.
“A queda do juro tende a acelerar o crédito. É um fator importante para a melhora da atividade”, afirma o economista do banco Itau Luka Barbosa.
Brasil ainda tem vários entraves para acelerar o crescimento
Marília Marques/G1
O crédito para pessoas físicas tem avançado a um ritmo superior a dois dígitos e contribuído para a melhora do consumo das famílias, que também tem sido beneficiado pela liberação de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviços (FGTS) neste fim de ano.
“A melhora do PIB está sendo conduzida por essa aceleração do consumo”, diz Silvia Matos, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).
Juros mais baixos também ajudam na melhora da atividade econômica ao abrir espaço para a retomada do setor imobiliário – que já dá sinais de melhoras, principalmente em São Paulo – e para o avanço do mercado de crédito privado.
Com a restrição fiscal do setor público e mudança de orientação dos banco públicos, o Brasil tem enfrentado uma mudança estrutural no mercado de crédito. Agora, o investimento vai ter de ser liderado pela crédito privado.
“Para a economia brasileira acelerar o crescimento, o crédito privado vai ter de acelerar”, diz Barbosa.
Os entraves
O Brasil ainda encontra uma série de entraves para que o crescimento volte num ritmo mais acelerado. A economia brasileira tem lidado com um mundo que cresce menos, o que afeta o desempenho das exportações brasileiras, e há uma incerteza política local sobre o avanço das reformas econômicas.
Na economia mundial, já há sinais de desaceleração na Europa e na China. Há ainda dúvidas sobre o desempenho dos Estados Unidos – se o país também vai crescer menos no ano que vem. Além disso, as recentes turbulências nos países da América do Sul devem afetar as vendas de produtos brasileiros – a região responde por 15% das exportações brasileiras.
“O que nos impede de ter uma visão mais otimista sobre a atividade brasileira é a quantidade de incertezas no cenário internacional”, diz o economista do banco Santander Lucas Nobrega.
Os especialistas mantêm ainda uma visão mais cautelosa sobre a capacidade do governo de levar adiante a agenda de reformas. Depois de aprovada a reforma da Previdência, essencial para o ajuste fiscal, o governo enviou para o Congresso uma série de medidas econômicas ainda mirando as contas públicas e o ambiente de negócios do país.
Reforma da Previdência é importante, mas insuficiente para ajuste fiscal
Protestos na América do Sul devem dificultar retomada mais forte do Brasil
Esteban Felix/AP Photo
Em novembro, o governo elaborou três propostas de emenda à constituição (PEC): a do pacto federativo, a emergencial, que propõe que os gatilhos existentes no caso de descumprimento do teto de gastos públicos sejam acionados, e a dos fundos públicos. Para entrar em vigor, uma PEC precisa ser aprovada em dois turnos no Senado e também na Câmara dos Deputados.
“O ambiente político é difícil e ruidoso. O custo para encaminhar esse tipo de proposta é sempre alto”, afirma a economista e sócia da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro.
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Source: Globo Economia